| Publicado por: | vander.christian |
| Data: | 06/02/2010 |
| Hora: | 19:20:13 |
| Página: | biblioteca_ler |
| Livro | KARINA - A MINHA HISTÓRIA |
| Capítulo | 14 |
| Leituras: | 443 |
CAPÍTULO 13
MUITAS RISADAS
Não me lembro de ter feito outra coisa, se não gritar feito um louco. Karina segurava com toda a força na minha cintura. O vento, que parecia não existir, de repente soprava com toda a força em meus ouvidos.
-Jéferson não solta a rédea!- Gritou Karina como se eu estivesse há quilômetros de distância.
-Nós vamos cair Karina! – Gritei em pânico.
Castelinho corria no meio da estrada sem se importar com as broncas que Karina disparava.
-Esquece Karina, ele não vai te ouvir!
-Puxe a rédea! – Falou Karina.
-Se eu puxar nós vamos cair!
-Puxe a rédea mais não solte Jéferson!
-Eu não vou puxar!
O pânico se apoderou de mim por completo. Parecia não haver possibilidade alguma de Castelinho parar de correr.
-Jéferson você tem que puxar a rédea! – Repetiu Karina. Eu já estava sem saber a que distância estava da casa de Rita.
-Eu não vou conseguir! – Falei com os olhos fixos na estrada à frente.
-Se você não puxar a rédea, o Castelinho não vai parar!
-Eu não consigo!
-Consegue sim! O Castelinho não é acostumado a se afastar muito do sítio do Davi, precisamos parar!
-Eu falei que não era uma boa idéia sairmos a cavalo! Agora nós vamos cair!
-Puxa a rédea Jéferson rápido!
-Ah não, pra onde ele ta indo?!
Saímos da estrada. Passamos por uma cerca tombada; aprofundamos-nos em um pasto cheio de pés de manga e pés de goiaba – o pasto estava completamente deserto. Karina segurava em minha cintura com tanta força, que eu já estava me sentindo incomodado. A corda, em minha mão, parecia estar pegando fogo. Teve uma hora que senti o meu corpo vacilar para o lado do lombo de Castelinho, então segurei a rédea coma mais firmeza.
Havia uma cerca do lado esquerdo. Estávamos correndo muito próximo dela, até parecia que o Castelinho não estava enxergando; mais esse problema, no entanto, durou pouco, olhei para frente e vi uma fileira de pés de manga bem no caminho em que passaríamos.
-KARINA NÓS VAMOS BATER!! – Berrei desesperado.
-Bater no quê?! – Gritou Karina em resposta.
-SE ABAIXA RÁPIDO!!
Karina se abaixou no momento em que um galho passou raspando sobre as nossas cabeças.
-O QUE VOCÊ ESTA FAZENDO SEU CAVALO MALUCO!! – Explodi com raiva. Outro pé de manga se aproximava e Castelinho parecia estar indo em sua direção.
-SE ABAIXA! – Berrei novamente – outro galho havia passado.
-Jéferson, o Castelinho é...
O que o Castelinho era eu só soube minutos depois; pois Karina não terminou a frase.
-SEGURA FIRME EM MIM KARINA!! – Berrei com força. O galho que se aproximava de nós era mais baixo do que os outros e havia...
-SE JOGA KARINA, AGORA!
-O QUE ESTA HAVENDO?!
-SE JOGA!
Saltamos juntos, mas sem antes termos batido e destruído uma casa de marimbondos.
Parece incrível eu e Karina não ter quebrado nada quando fizemos contato com o chão. Porem, o galho com a casa de marimbondos não estava muito longe de nós e o enxame não era pequeno. Segurei o braço da minha amiga e corremos pelo menos uns vinte metros à frente.
-Eu não acredito no que acabou de acontecer – falei cansado e esfregando a mão no rosto e no pescoço, onde os marimbondos haviam picado. – Aquele cavalo, tão manso que até o Igor e a Renata montam quase nos assassinou!
-Jéferson eu acho que você não percebeu e eu também me esqueci de te dizer, mas o Castelinho é cego – falou Karina respirando com dificuldade e esfregando o braço esquerdo.
-O Castelinho é o que?
-Cego.
-E agora que você me avisa! – Disse eu fazendo uma careta; os lugares inchados rapidamente. – Você é cega, eu não sei cavalgar, portanto... e você me chama para montarmos e sairmos andando por aí num cavalo cego! – Dei um longo suspiro e terminei: - Francamente Karina, tivemos sorte de estarmos aqui agora, sentindo essa dor chata causada pelas picadas daqueles marimbondos e não estarmos mortos!
-Desculpa Jéferson – disse Karina dando risada.
-Do que você esta rindo?
-Você, gritando: nós vamos cair Karina! Como se cair fosse uma coisa totalmente absurda de acontecer num momento como aquele.
-Não tem graça nenhuma. Eu nunca mais monto naquele cavalo biruta!
-Aonde ele esta? – Perguntou Karina ainda dando risada.
-Não sei ele continuou correndo quando nós se jogamos – expliquei olhando para a direção que Castelinho foi.
-Você precisa trazer ele de volta Jéferson – dessa vez Karina não estava dando risada. – O Davi não vai gostar nem um pouco de voltarmos sem o Castelinho.
-Ainda mais essa!
Seguimos em frente. O meu rosto já estava inchando; Karina teve mais sorte de que eu, pois os marimbondos só haviam picado os seus braços.
Achamos Castelinho pastando perto de uma represa no meio do pasto. Karina ficou me esperando de baixo de uma sombra produzida por uma árvore. Me aproximei de Castelinho e senti o meu pé afundar no brejo que rodeava a represa. Arrisquei dar mais um passo, e quando fui ver já estava sentado sob a lama.
-Ah Jéferson, diz que você não caiu! – Falou Karina já dando risada.
-Seria feio se eu dissesse que não – disse eu me levantando, as minhas roupas estavam imundas.
-Hoje não é o seu dia Jéferson! – Debochou Karina.
-Sinceramente Karina, eu reconheço que tirei o maior sarro da sua cara no dia que eu deixei você ir da Barra - Funda a Franco da Rocha sozinha, mas eu achei que você já havia superado isso, sabe... To vendo que eu estava completamente enganado – falei sorrindo e pegando na rédea de Castelinho; que por sinal estava cheia de lama.
Quando chegamos à casa de Rita, tive que suportar as gozações de Davi e Renata. Decidi então tomar um banho demorado e tentar esquecer o ocorrido. Mas era difícil fingir que não havia acontecido nada...
Sem dúvida alguma foi o natal mais diferente da minha vida, e aquele ano tinha todos os ingredientes para se tornar um ano inesquecível.
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