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Capítulo XIII

Publicado por: luis.campos
Data: 14/12/2008
Hora: 16:32:27
Página: biblioteca_ler
Na categoria: fábulas
Leituras: 80

 

Luís Campos (Blind Joker)

@ Capítulo XIII


A carruagem lilás já havia rodado por cerca de três horas quando
adentrou a Floresta da Fantasia. Logo estariam rodando em terras que
pertenciam à Madame Mínima e, em pouco mais de uma hora, estariam no
velho castelo da bruxa...

- Lole, pare na Fonte Luminosa! Estou com sede!

- Certo, Madame Mínima!

A carruagem rodou mais alguns minutos e parou diante de um pequeno, mas
bem cuidado poço natural. Suas águas cristalinas refletiam o azul de
um céu sem nuvens, naquela manhã...

- Ôôôa, cavalos!

Assim que os cavalos pararam, o gnomo Lole desceu e abriu a portinhola
da carruagem para que Madame Mínima saltasse. A bruxa desceu e caminhou
até a fonte. Ajoelhou-se à margem desta e, com as mãos em concha,
apanhou um pouco do líquido precioso e o sorveu, repetindo o gesto mais
umas cinco vezes...

- A Senhora estava mesmo com sede, hein, Madame Mínima? - disse Lole.

- O sol está muito forte e há pouco vento, Lole!

- Mas aqui a sombra é hospitaleira, Madame Mínima!

- É verdade, Lole! Vamos nos deitar um pouco nesse gramado e descansar
as costas!

- E a bunda também, né?

- Você tem razão, Lole!

- Darei um pouco de água aos cavalos e logo estarei de volta!

Lole foi fazer o que dissera e Mínima deitou-se sob a sombra de uma
amoreira. estava quase dormindo quando ouviu um choro seguindo de
lamentos. Sentando-se, viu que Lole estava deitado ao seu lado...

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- Quem estará chorando assim, Lole?

- A voz é baixinha... não sei!

- Será que é um duende ou um gnomo, Lole?

- Acho que não, Madame Mínima! Os seres elementais choram de uma outra
maneira!

- Como assim, Lole?

- Os elementais choram assim: snif, snif! - disse Lole, imitando um
choro.

- É mesmo... agora lembrei!

Nem bem ela acabou de falar, ouviu-se, mais uma vez, aquele choro...

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

Lole sentou-se também e aguçou os ouvidos...

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- Lole, o choro está vindo daquele lado! - disse Mínima apontando para
um enorme arbusto.

- Eu irei ver do que se trata, Madame Mínima!

- Iremos ambos, Lole... também estou curiosa!

Eles se levantaram e caminharam em direção ao arbusto. Assim que
começaram a vasculhar entre os galhos deste, ouviram, mais uma vez,
aquele choro e desvendaram o mistério...

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- Calma, lindinho! - disse Mínima retirando um filhote de coruja de um
ninho que havia caído de uma pequena cabreúva...

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- É um filhote de coruja, Madame Mínima!

- Eu sei, Lole! O que terá acontecido com a mãe dele?

- Quem pode saber, Madame Mínima, é o autor dessa novelinha!

- É mesmo, Lole... e eu sei porque ele fez isso!

- E eu posso saber?

- Depois, Lole, depois... agora temos que cuidar desse filhote!

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- Ele deve estar faminto... vou pegar algumas aranhas pra ele!

- Nãããão! Não faça isso, Lole!

- Ué? Não quer dar comida ao bichinho, Madame Mínima?

- Não é isso, Lole! Traga-lhe outros insetos... nada de aranhas, tá?

- Tá bom, Madame Mínima! Fui!

- Enquanto isso, dar-lhe-ei um pouco de água!
Vê se não demora, Lole!

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- Calma, lindinho... nós iremos procurar sua mãezinha!

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

Madame Mínima pegou uma grande folha, deu-lhe o feitio de concha e
trouxe um pouco de água. O filhote bebeu alguns goles e...

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

(Gritando)- Lole, Lole... vê se trás logo esses insetos. Talvez assim
ele cale o bico!

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- Esse autorzinho medíocre está fazendo isso só pra me irritar!

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

Após alguns minutos Lole retorna com as mãos cheias de insetos...

- Pronto! Peguei algumas aranhas!

- Fique longe de mim com essas bichas horrorosas, Lole!

- Eu tô brincando, Madame Mínima! Hahahaha!
Nunca vi uma bruxa ter medo de aranha! Hahahahaha!

- Engraçadinho! Quem lhe disse que eu tenho medo de aranha? Eu tenho
pavor! (Falando para si) - Esse autorzinho abestado vai me pagar!

- Disse alguma coisa, Madame Mínima?

- Eu não disse nada, Lole... só pensei alto!

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- Dá logo essas coisas a esse lindinho, Lole, senão eu...
(Falando para si) - Eu tenho que me controlar!

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- Pronto! Já estou dando, Madame Mínima!

O filhote de coruja comeu todos os insetos que Lole lhe deu, mas...

- Buá, buá... eu quero mamãe, eu quero mamãe! Buá, buá!

- Eta corujinha chata!

- Calma, Lole! Você também fica com saudade da sua mamãe, né?

- Fico... mas só choro um pouquinho!

- Eu sei! Mas quando a encontra a enche de beijos, né?

- É... mas quero ver como essa corujinha vai beijar a mãe dela, quando
a encontrarmos!

- Por que isso, Lole?

- Não dizem que dois bicudos não se beijam? Hahahahahaha!

- Piu, piu... piu, piu... piu, piu!

- Hihihihi! Essa foi boa, Lole! Até a corujinha gostou! Hihihihi!

- Piu, piu... piu, piu!

- Acho que ela entendeu, Madame Mínima!

- Pelo menos está mais calma, né, Lole?

- Ainda bem! Vamos procurar a mãezinha dela agora?

- Piu, piu... piu, piu!

- Vamos, Lole, embora eu duvide que a encontremos!

- Por que, Madame Mínima?

- Porque o sol está alto e, a esta hora, a mãe deveria estar dormindo
com seu filhote!

- Por que?

- Porque a coruja caça pela noite e ao alvorecer. Durante o dia ela
dorme!

- Ah... é por isso que ela tem essa cara de sono! Hahahahahaha!

- Hihihihihi! Dizem também que ela tem uns olhos enormes, mas não é
verdade... veja que os olhos dela são pequenos, mas como eles estão no
centro de um círculo de penas, parecem enormes!

- É mesmo, Madame Mínima!

- Já andamos um bocado, Lole... acho melhor voltarmos daqui!

- E agora, Madame Mínima?

- Eu vou adotá-la, Lole! Ela vai viver conosco no castelo!

- Legal, Madame Mínima! Todos os dias pegarei insetos pra ela comer!

- Logo, logo, ela estará caçando sua própria comida, Lole!

- Duvido que isso aconteça ainda nesse capítulo, Madame Mínima!

- Claro que não, Lole, mas, tudo a seu tempo, né?

- Eu já ouvi isso!

- Claro que já ouviu, Lole... o autor dessa novelinha adora dizer isso!

Nesse momento eles chegam onde estava a carruagem. Madame Mínima,
com o filhote de coruja ao colo, embarca no veículo e Lole ocupa seu
posto de cocheiro...

- Eia, cavalos! Vamos para casa!

E a carruagem retorna à estrada...

- Piu, piu... piu, piu!

- Hihihihihihihi! Lindinho!


- - -

fim do capítulo XIII
Luis campos

 

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