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Parte VIII

Publicado por: luis.campos
Data: 14/12/2008
Hora: 16:46:29
Página: biblioteca_ler
Na categoria: ------
Leituras: 119

 

Parte VIII


Após aquele papo tão "cultural", Asoief levou Iul até uma das varandas
do castelo...

- Sabe, Iul, daqui tenho uma vista maravilhosa: embaixo fica parte do
Jardim Real que, internamente, cerca todo o castelo. Papai adora e
respeita a natureza. À sua esquerda tem o Pomar Real, com todas as
espécies de árvores frutíferas que se conhece; à sua direita fica a
horta real, com todos os tipos de hortaliças conhecidas; próximo a
esta, estão o Aviário Real, a Estrebaria Real, o Chiqueiro Real e o
Canil real; À sua frente descortina-se uma paisagem indescritível...
tem a imensa Floresta Real, habitat de pássaros e animais silvestres
que termina na linda cadeia das Montanhas Reais. Pela manhã, até o
meio-dia, os píncaros das montanhas ficam encobertos por um espesso
nevoeiro, dando-nos a impressão de um lindo Cartão Postal Real!

- Você descreveu a paisagem tão bem que consigo imaginar a beleza do
lugar! Não tem nada a ver, mas eu me lembrei, Asoief... como vocês
conseguem gelar a cerveja?

- O Gelo Real vem do cume das Montanhas Reais e é conservado nos
Barris Reais de Carvalho Real!

- Humm!

- Humm, o quê, Iul?

- Nada! Entendi!

- Vamos sentar aqui na Varanda Real para sentirmos um pouco essa
Brisa Real, Iul!

- Antes gostaria que você me levasse ao Sanitário Real! Essa Cerveja
Real está querendo sair por uma torneira real!

- Claro, Iul! Agora mesmo! Vamos ao meu quarto!

- Sou todo seu, Asoief! - disse Iul já pensando bobagem.

Asoief conduziu Iul até sua Suite Real e mostrou-lhe onde ficava o
Vaso Sanitário Real. Iul fez seu pipizinho e saiu do banheiro. Asoief
o fez sentar-se em sua Cama Real. Iul sentou-se na beirada da cama ao
lado da princesa que, aproveitou-se por estar próxima ao moço para
fazer-lhe um Cafunézinho Real. Por pouco Iul não dormiu. Minutos
depois um Lacaio Real veio chama-los para o almoço. Asoief, segurando
a mão de Iul, o levou até onde estava servido o Repasto Real e o
fez sentar-se à uma das cabeceiras da Mesa Real, sentando-se ao lado
dele, enquanto o Rei Udib sentava-se na outra cabeceira...

- Bom apetite, Marquês!

- Obrigado, Majestade!

- Creio que minha filha terá prazer em preparar sua refeição, Marquês!

- Não tenha dúvida, Papai! - disse a moça com um brilho no olhar.

- Obrigado, Asoief!

- O que você quer comer, Iul? - perguntou carinhosamente Asoief.

- O que posso escolher, Asoief? - perguntou Iul educadamente.

- Temos arroz-doce e canjica,
paçoquinha, mungunzá.
Pão-de-queijo, caruru,
torresmo e vatapá.
Bolo de puba, aipim,
tucupi e tacacá!

Também churrasco gaúcho,
muita moqueca nortista.
Até tutu-à-mineira,
e o virado paulista.
Feijoada carioca,
amendoim, salsicha mista!

Pé-de-moleque, sequilho,
brigadeiro e rosquinha.
Pastel, jujuba, empada,
milho, quibe, queijadinha.
Sanduíche de presunto,
olho-de-sogra, coxinha!

Tem também algumas frutas,
melancia e jamelão.
Cupuaçu e laranja,
caju, uva e mamão.
Banana, manga, ameixa,
abacaxi e melão!

- Conheço esses versos também, Asoief, mas devo dizer que O cardápio
está bem variado e parece apetitoso!

- Claro que está, Iul! E os versos são do mesmo cordel do Blind Joker!

Realmente aquele repasto foi digno de um rei e à altura de um nobre
Marquês... mesmo que de mentirinha!
A mesa, repleta de iguarias, além de dar água na boca, encheria os
olhos de quem enxergasse e apreciasse uma boa refeição. Nas terrinas
e vasilhames havia "de um quase tudo". Após o almoço, arrotos de
satisfação, bucho cheio e falta de educação para a nossa cultura
tupiniquim, Asoief levou Iul mais uma vez para a varanda. Conversaram
até a noite cair, quando Iul disse que estava na hora de voltar pra
casa. Tristonha e com os olhos marejados, Asoief, da janela do seu
quarto, viu a carruagem que o rei mandara levar Iul, partir...

* * *

Na manhã seguinte, enquanto Iul fazia seu desjejum, Danyl prosseguia
com seu plano de torná-lo um nobre de posses aos olhos do rei e da sua
filha. Saiu andando pelos campos que se estendiam a perder de vista ao
longo do caminho que a carruagem real costumava percorrer durante o
passeio diário do rei e da princesa. Ao encontrar o primeiro grupo
de lavradores, o gato lhes disse ameaçador:

- O rei logo vai passar por aqui. Se ele perguntar a quem pertencem
estas terras, respondam-lhe que pertencem ao Marquês de Racabás, se
não quiserem virar comida de gato!

Os camponeses, amedrontados por pensarem que o gato era o Ogro Torgo,
obedeceram a Danyl...

- A quem pertencem estas terras, Senhores? - perguntou o rei aos
camponeses.

- São terras do Marquês de Racabás, Majestade!

O rei ficou impressionado com os muitos bens que o amável e educado
marquês possuía, pois, durante o passeio percorreu muitas terras e, em
todas, ouvia a mesma resposta à sua pergunta:

- A quem pertencem estas terras, Senhores?

- São terras do Marquês de Racabás, Majestade!

O soberano pensou que jamais encontraria melhor partido para sua
filha. O Marquês de Racabás, além de ser um nobre rico, era cego e,
assim, não se importaria com o fato da princesa ser feiosa. Também por
perceber os olhares que a filha dedicava ao jovem Iul, compreendeu que
ela já o amava...

* * *

Após andar por algumas horas, Danyl chegou ao castelo do Ogro Torgo,
verdadeiro dono daquelas terras e "Amo e Senhor" dos camponeses que
ele ameaçara pelo caminho. Bateu forte no portão e aguardou ser
atendido. Lá dentro, uma voz de trovão fez-se ouvir:

- Quem me importuna a essa hora?

- É Danyl, em nome do Marquês de Racabás!

O malvado Ogro Torgo veio pessoalmente abrir o portão e Danyl viu-se
diante de um gigante horroroso ...

- És tu quem se atreve a ameaçar os meus campesinos! - rugiu o ogro.

- Si-sim... po-porém foi só por cu-curiosidade! - gaguejou o gato.

- Curiosidade? Sobre o que você está curioso, seu gato atrevido?

- É-é ver-verdade que você po-pode transformar-se em qual-qualquer
cri-criatura? - perguntou Danyl, tremendo que nem vara verde.

- Sim... quer ver, gatinho? - respondeu o monstro já se transformando
num enorme leão que rugiu ameaçador.

Danyl, assustado, correu e escondeu-se sob um grande móvel. Do seu
esconderijo, provocou o Ogro Torgo:

- Mas virar leão para um gigante, deve ser fácil! Quero ver você virar
um bichinho menor do que eu, por exemplo!

Como da vez anterior, antes que Danyl terminasse a frase o gigante
transformou-se numa pequenina perereca. Saindo rapidamente do seu
esconderijo, Danyl saltou sobre a perereca e a engoliu. E esse foi o
fim das malvadezas do gigante Ogro Torgo... e o fim deste capítulo!

- - -

Fim da parte VIII
- - -

Luís Campos (Blind Joker)

 

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