| Publicado por: | luis.campos |
| Data: | 31/01/2009 |
| Hora: | 15:46:12 |
| Página: | biblioteca_ler |
| Na categoria: | x |
| Leituras: | 107 |
O leão deu outro rugido, ainda mais forte do que o anterior...
- Manso? Eu vou é me esconder, isso sim! - exclamou Danyl.
- Eu é que não fico aqui! - disse o espantalho.
- Pois eu ficarei aqui! Totó me protegerá! - falou Dorothy!
- Eu também fico, Dorothy! - disse o homem de lata.
- Nós tomaremos conta de Totó! - exclamou a menina decidida.
Danyl, mais rápido do que um foguete, empoleirou-se no galho de uma
árvore próxima, mas o espantalho não teve tempo de esconder-se e levou
uma patada do imenso leão e foi parar do outro lado da cerca que
beirava a estrada...
* TUMP! VUUUUM! BONC!
Depois o leão atacou o homem de lata, tentando enfiar suas garras no
corpo deste, mas sequer o arranhou, conseguindo apenas derrubá-lo e
este ficou deitado no chão, imóvel...
*REINH! REINH! TUMP!
Totó afinal pode demonstrar sua valentia e, latindo, sem temer o
perigo, atacou a fera...
- Au au au au! Au au au au!
- Grounnnn!
O leão abriu a bocarra para morder o cachorro, mas levou um sonoro tapa
no focinho, desferido por Dorothy...
* PLAFT!
- Atrevido! Um leãozão do seu tamanho querendo morder um cachorrinho
pequenininho!
- Não cheguei a mordê-lo - respondeu o leão, esfregando o nariz com a
pata...
- Não mordeu, mas quis morder! Você não passa dum leão covarde!
- Sei disso - disse o leão, baixando a cabeça, envergonhado. - Sempre
soube disso. Mas, que vou fazer?
- Ora! Que vergonha! Bater num homem de palha como o espantalho!
- De palha? - perguntou surpreso o leão ao ver Dorothy colocar de pé o
espantalho, dando-lhe pancadinhas para restituir-lhe a antiga forma...
* PANK! PANK! PANK!
- Aiiiiii! Uiiiii!
Calma, Scarecrow! Logo você estará perfeito! - e voltando-se para o
leão, com ar de zangada - Claro que ele é de palha!
- Ah, então foi por isso que saiu voando por cima da cerca! O outro
também é de palha?
- Não! - disse Dorothy, ajudando Tin Man a erguer-se. - É de lata!
- Ah, então foi por isso que quase fiquei sem minhas unhas! Deu-me
até arrepios! E que bichinho é esse? E aquele outro naquela árvore,
que bicho é?
- Esse é Totó, meu cachorrinho e aquele lá é Danyl, um gato!
- E eles são de lata ou de palha?
- Que leão ignorante! Eles são de carne e osso... que nem você!
- Hummm! Que bichos estranhos!
- Não vejo nada de estranho neles... e nem em você!
- Mas, visto de perto, esse Totó é tão pequeno! Só um covarde como eu
atacaria um animalzinho tão pequeno!
Ao ouvir o que dizia o leão, Danyl desceu da árvore e juntou-se aos
demais...
- Por que você é tão covarde? - perguntou Dorothy.
- É um mistério! - respondeu o leão. - Devo ter nascido assim!
- Todos os outros animais esperam que você seja corajoso, afinal, o
leão é considerado o rei dos animais! - replicou Danyl.
- Me disseram que bastava eu rugir com força para que todos saíssem de
minha frente!
- E quando você encontra um homem, o que faz? - perguntou Scarecrow.
- Levo um susto danado, mas dou o meu rugido e ele foge em disparada!
- Hahahahahahaahahahahaha! - riram todos.
- e se um elefante, um tigre ou um urso tentassem enfrentá-lo?
- Eu fugiria logo de tão covarde que sou, mas, quando um desses bichos
ouvem o meu rugido, fogem antes e eu não preciso nem lutar!
- Mas é um erro! - aparteou o espantalho. - O Rei dos Animais não pode
ser um covarde!
- Sei disso! - retrucou o leão, enxugando uma lágrima com a ponta da
cauda. - É por isso que sou um infeliz. Sempre que enfrento um perigo,
meu coração dispara!
- Talvez você sofra de alguma doença cardíaca! - observou Tin Man.
- É mesmo! Quem sabe? respondeu o leão.
- Que felicidade! - exclamou o homem de lata.
- Felicidade ter uma doença do coração? indagou o leão.
- Não é isso! Isso prova que você tem um coração. Eu, pobre de mim,
não tenho coração, portanto, não posso ter moléstia cardíaca!
- Você tem cérebro? - perguntou o espantalho.
- Acho que tenho! - respondeu o leão.
- Pois eu não e por esse motivo vou à procura do Grande Oz, pedir-lhe
que me dê um cérebro. Minha cabeça é cheia de palha!
- E eu vou pedir-lhe um coração! Meu peito de lata está vazio!
- E eu, que me mande de volta para casa! falou Dorothy.
- E eu preciso continuar minha peregrinação em busca de aventuras!
- E você não tem medo de meter-se em enrascadas, gato? - perguntou o
leão.
- Que medo que nada! Tenho o espírito aventureiro!
- E há quanto tempo você vive essas aventuras, Danyl?
- Bem, Dorothy... há quatorze capítulos! Hahahahahaha!
- Hahahahahahahaha! - riram todos.
- Au au au au au!
- Até o Totó achou graça! - riu Dorothy.
- Vocês acham que esse tal de Oz poderia me dar um pouco de coragem?
- Por que não, se ele puder me dar um cérebro e um coração pro Tin Man,
poderá também lhe dar coragem e fazer com que Dorothy, Totó e Danyl
voltem para onde vieram!
- Muito bem, seu espantalho! Se me permitem, irei com vocês. Minha vida
é horrível sem um pouco de coragem!
- Acho que é uma boa idéia - disse Dorothy. - Assim, os outros animais
ferozes não atacarão a gente. São mais covardes ainda!
- É verdade! - disse o leão. - Mas nem isso me dá coragem!
- E como é seu nome, seu leão?
- Eu me chamo Lyon, menina...
- Dorothy! E estes são Danyl, Scarecrown e Tin Man... e essa coisinha
fofa é o Totó!
- Muito prazer, gente!
- Au au au!
- Prazer, Lyon! - responderam todos a uma só voz.
Mais uma vez o grupo se pôs a caminho. De início Totó não aprovou o
novo companheiro, mas passado algum tempo, acostumou-se e logo eram
bons amigos. Após caminharem um pouco, o homem de lata, sem querer,
esmagou uma joaninha e ficou muito triste, derramando algumas lágrimas
que enferrujaram as dobradiças do seu queixo, impedindo-o de falar.
Aflito, através de gestos, chamou a atenção dos companheiros para sua
situação...
- Calma, Tin... vou resolver isso agora mesmo! - disse Danyl.
Todos pararam e sentaram-se na beira do caminho. Danyl adentrou o
canteiro que margeava a estrada dos tijolos amarelos e recolheu de
uns girassóis, algumas sementes. Retornou para junto do grupo, pegou
duas pedras de tamanhos diferentes e começou a moer as sementes,
colocando antes, sob a pedra maior, uma enorme folha para recolher o
óleo que saía das sementes pisadas. Pegou esse óleo de girassol e
jogou sobre as dobradiças emperradas do queixo do homem de lata,
dizendo...
- Agora, Tin, abra e feche a boca algumas vezes!
Obedecendo a ordem do gato, logo o homem de lata tinha restituído o
movimento da boca...
- Que isso me sirva de lição para olhar onde piso! - foram as primeiras
palavras de Tin.
- É só ter um pouco de atenção, Tin! - disse Dorothy.
- Se matar outro inseto, choro de novo e meu queixo se enferruja outra
vez!
- Não se preocupe, Tin... há bastante girassóis nesta estrada! - disse
Danyl, sorrindo.
A partir daquele momento, o homem de lata passou a andar com mais
cuidado, olhos atentos ao caminho, pulando até as formigas para não ser
cruel ou indelicado...
- Vocês, que têm coração, nunca erram. Eu, porém, preciso tomar o
máximo cuidado até que o Mágico de Oz resolva o meu caso!
- E quem lhe disse que quem tem coração não erra, Tin? - falou Dorothy.
- Pois é, Tin... há muita gente por aí que parece não ter coração!
- Você diz isso pra me agradar, Danyl!
- E também há muita gente que parece não ter cérebro, Scarecrow!
- Quem, por exemplo, Danyl?
- Ora, Scarecrow... políticos, bandidos, viciados... é tanta gente!
A conversa ia animada, mas, de repente, Lyon deu um rugido de medo...
- Grrrrr! Uaiiiii! Um monstro!
Temendo o pior, todos pararam...
- Que monstro você viu, Lyon?
- Ali, Dorothy... atrás daquela árvore!
- Irei até lá! Vamos Totó!
- Au au au au!
- Não vá lá, Dorothy... pode ser perigoso!
- Não parece haver qualquer monstro por aqui, Lyon!
- Ele deve estar escondido para lhe pegar de surpresa, Dorothy!
- Que nada, Lyon!
- Dorothy... olhe para cima! - gritou Danyl.
- Hahahahaha! É esse o monstro, Lyon? Isso é apenas um gambá!
- M-mas ele parecia tão feroz!
- Desculpe-me Lyon, mas você é realmente um leão muito do covarde,!
- Sou covarde mesmo, mas bem que gostaria de não ser!
- Se você agisse como o Rei dos Animais que é, não teria medo de
nada... nem de um pequeno gambá! - disse Danyl.
- Nem de nada, nem de ninguém! - falou Scarecrow.
- Nem mesmo de um rinoceronte! - completou Tin Man.
- Impossível! Sou um covarde!
- E de um hipopótamo? - perguntou Dorothy.
- Eu sairia correndo!
- Pois eu botaria cangalha nele e saía galopando! - disse Danyl.
- E se fosse um elefante, Danyl? - indagou Dorothy.
- Eu o embrulharia em papel celofane e o daria a você de presente!
- Obrigada, Danyl, mas estou satisfeita com o Totó! Hahahahahaha!
- Au au au a!
- Totó concordou contigo, Dorothy! Hahahahaha! - disse Danyl.
- E se fosse um brontossauro, Danyl?
- Eu faria ele comer toda sua palha, Scarecrow! Hahahahahaha!
- Que maldade, Danyl! - disse Dorothy.
- E o Rei da Floresta não faria nada? - indagou Tin Man.
- Eu? Fazer o quê? Correr?
- Nada disso, seu leão... você tem que mostrar que não é medroso!
- Muito bem, Danyl!
- Obrigado, Dorothy!
- O que faz de um homem, herói? - perguntou Dorothy.
- Coragem! - responderam todos... menos o leão e Totó.
- O que faz de um cavaleiro, Senhor? - perguntou o homem de lata.
- Coragem! - responderam todos.
- O que liberta um povo da opressão? - pergunto o espantalho.
- Coragem! - responderam os demais.
- O que mostra o pavilhão no mastro às vagas? - perguntou Danyl.
- Coragem! - responderam todos os demais.
- O que faz o homem enfrentar o crepúsculo sombrio? - perguntou Dorothy.
- Coragem! - responderam todos.
- O que eles têm que eu não tenho? - perguntou Lyon.
- Coragem! - exclamaram todos os outros.
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