| Publicado por: | luis.campos |
| Data: | 31/01/2009 |
| Hora: | 20:28:40 |
| Página: | biblioteca_ler |
| Na categoria: | x |
| Leituras: | 94 |
Assim que eles perderam a cegonha de vista, recomeçaram a marcha de
volta à estrada de tijolos amarelos...
- Tive medo de ficar dentro do rio o resto da minha vida! - confessou
o espantalho.
- Nós não sabíamos como salvá-lo, mas não desistiríamos nunca!
- Obrigado, amigo Danyl!
Agora ouviam o canto dos pássaros e admiravam a beleza do campo:
flores amarelas, brancas, azuis, roxas e vermelhas estendiam-se como um
tapete na orla do rio. Mais adiante estas flores foram substituídas
por canteiros de papoulas rubras, de um exuberante colorido e perfume
inebriante. Como o odor da papoula pode causar sono e até provocar a
morte, Dorothy, que se aproximara demais das papoulas, sentia as
pálpebras pesadas e caiu adormecida no meio destas flores. Ao vê-la no
chão, Danyl correu em seu socorro...
- E agora? - perguntou, perplexo, Danyl.
- Se abandonarmos Dorothy aqui, fatalmente ela morrerá! - ponderou
Scarecrow.
- Eu mal consigo manter os olhos abertos! - disse Lyon.
- E eu também! Até Totó dormiu! - disse Danyl.
- Danyl e Lyon, saiam daqui! Eu e o Scarecrow levaremos Dorothy e Totó
para um lugar seguro! - disse Tin Man.
No mesmo instante Lyon e Danyl desapareceram. Scarecrow e Tin Man
fizeram uma cadeirinha com os braços e transportaram Dorothy, colocando
Totó no colo da menina. Andaram por um bom tempo e encontraram Lyon
caído, dormindo entre algumas papoulas. O campo das papoulas parecia
não ter fim, até que, finalmente, após uma curva do rio já não havia
qualquer destas flores. Scarecrow e Tin Man andaram mais um pouco e
encontraram Danyl dormindo sob uma árvore, à beira do rio. Deitaram
Dorothy e Totó ao lado dele e sentaram-se para descansar...
- Mesmo para um leão robusto como o Lyon, o aroma dessas flores é
violento demais! - falou Tin Man.
- Pelo menos, onde estamos agora, eles não correm perigo!
- Teremos que trazer o Lyon para cá!
- E como faremos isso, Tin?
- Eu não sei, Scarecrow, mas teremos que dar um jeito!
- É verdade! Se Lyon ficar lá por muito tempo, é capaz de morrer!
Scarecrow e Tin calaram-se, aguardando que o vento acordasse os amigos.
Os dois, em vigília, passaram a noite. Já eram quase nove horas do dia
seguinte, quando Dorothy despertou. Pouco depois foi a vez do Danyl e
em seguida, do Totó. Depois que a menina se restabeleceu, Scarecrow
deu-lhe algumas frutas, bem como ao Danyl e ao Totó...
- Que aconteceu?
- Você, Danyl, Totó e Lyon foram narcotizados pela papoula, Dorothy!
- Caramba! E eu dormi muito?
- Você, Danyl e Totó dormiram desde ontem à tarde!
- Cadê o Lyon, Tin? - perguntou Dorothy.
- Ele está caído perto das papoulas e está adormecido desde ontem!
- E agora? Que faremos, Scarecrow?
- Se eu tivesse cérebro, Danyl, saberia o que fazer... acho!
- O Lyon, coitado, deve estar sofrendo com aquele fedor terrível!
- Acho que não, Tin, pois está entorpecido pelo cheiro da papoula!
- Eu sei, Scarecrow, mas ele ainda não acordou!
- E eu acho que não acordará tão cedo, Tin!
- E agora, Danyl... o que faremos?
- Eu acho que devemos aguardar o Lyon despertar, Dorothy!
- E se ele não acordar, Danyl?
- Será que ele morreu, Tin?
- Acho que... ainda não, mas corre esse risco, Dorothy!
- Temos que tirá-lo de lá, Dorothy!
- Eu sei, Tin, mas como?
- Lyon é pesado demais para que possamos carregá-lo, Dorothy!
- Teremos de deixá-lo aqui, dormindo por toda a eternidade. É capaz
dele sonhar que encontrou a coragem!
- Não podemos fazer isso, Danyl!
- Sinto muito! - disse o espantalho. - O Lyon, apesar de covarde,
era um bom sujeito!
- Mas temos de ir em frente!
- Nada disso, Danyl! Vamos esperar mais algum tempo!
- Tudo bem, Dorothy... eu não tenho pressa mesmo!
E eles continuaram ali sentados. Cerca de uma hora depois eles ouviram
um miado agressivo...
- Que foi isso? - indagou Dorothy.
O homem de lata ia responder quando avistou um estranho animal que
avançava aos pulos sobre um capinzal perto do local onde eles estavam.
Um enorme gato-do-mato, orelhas coladas à cabeça, a boca escancarada,
deixando à mostra duas fileiras de dentes assustadores. Seus olhos
brilhavam como fogo. O lenhador viu, correndo desesperado à frente da
fera, um ratinho cinzento. Apesar de não ter coração, Tin sabia que
aquele gatão não se comportava de maneira decente ao perseguir um
bichinho tão pequenino e que lhe pareceu inofensivo e até bonitinho.
Tin Man ergueu seu machado e, quando a fera passou por ele, decepou-lhe
a cabeça. Livre do inimigo, o camundongo parou e agradeceu ao seu
salvador...
- Obrigada, Senhor Lenhador!
- Por nada, amigo...
- Amiga, Senhor...
- Meu nome é Tin Man... sou um homem de lata e estou sempre pronto a
ajudar os mais necessitados... mesmo que seja apenas uma ratinha!
- "Apenas uma ratinha"! - exclamou a ratinha, indignada.
- Eu não quis ofendê-la, Madame!
- Pois saiba que sou uma rainha... a Rainha dos ratos silvestres!
- Mil perdões, Majestade! - disse Tin, curvando-se numa reverência.
- Salvando minha vida, o Senhor executou um feito importante, além de
ter praticado um ato de bravura!
Nesse momento, de dentro do capinzal, saíram centenas de ratinhos...
- Oh, Alteza, pensamos que tivesse morrido! - disse um dos ratinhos.
- Como escapou das garras do monstro, Majestade? - perguntou um outro.
Os demais ratinhos do bando, à proporção que chegavam diante da rainha,
saudavam-na com salamaleques exagerados.
- Este estranho homem de lata matou o gato e me salvou, Ministro!
- Em nome da nação dos ratos silvestres de Oz, agradecemos por ter
salvo nossa rainha e parabenizamo-lo pela proeza!
- Como gratidão e por seu ato de louvor, devemos satisfazer todos os
seus caprichos!
- Perfeitamente, Majestade! - guincharam os ratinhos em coro.
Totó, ao ver aquele bando de ratos, pensou logo em brincar com eles,
como fazia na fazenda dos tios de Dorothy...
- Au au au au!
Ao ouvirem o latido e o cachorrinho, os ratos debandaram em todas as
direções. Imediatamente Tin carregou Totó...
- Calma, gente... ele só queria brincar com vocês! - gritou Tin Man.
Botando a cabeça pra fora, do meio duma touceira, a rainha dos ratos
perguntou timidamente...
- Tem certeza de que ele não vai nos atacar?
- Pode ficar tranqüila, Majestade! - respondeu o homem de lata.
Embora desconfiados, os ratinhos foram se aproximando. Um dos maiores
fez uso da palavra, curvando-se numa reverência...
- Podemos fazer alguma coisa em retribuição ao seu nobre gesto?
- Que eu saiba, nada! - respondeu Tin.
O espantalho aproximou-se do homem de lata e dos ratinhos...
- Podem, sim: podem salvar um leão amigo!
- Um leão? - sobressaltou-se a rainha. - Ora, ele vai nos devorar!
- Qual nada! - retrucou o Scarecrow. - O nosso leão é um covarde!
- É mesmo? - perguntou a Rainha, admirada.
- Estamos indo à Cidade das Esmeraldas para pedirmos alguns
benefícios ao Mágico de Oz... e ele vai pedir pra ser corajoso!
- Foi ele mesmo quem disse! - completou Tin.
- Garanto que, quando ele souber que vocês salvaram a vida dele, vai
tratá-los com gratidão, educação e respeito! - disse Dorothy, que se
aproximara do grupo.
- Está bem! - consentiu a Rainha. - confiaremos em vocês!
- Que devemos fazer? - perguntou o rato ministro.
- São muitos os seus leais súditos? - perguntou Dorothy.
- Milhares, milhares! - respondeu a rainha.
- Então, chame todos aqui... e que cada um traga consigo um barbante
comprido! - falou Dorothy.
- Ministros... convoquem todo o nosso povo! Quero todos aqui e com um!
bom pedaço de cordão!
- Sua ordem será cumprida, Majestade! - responderam os três ministros,
a uma só voz.
Os ratinhos desapareceram em todas as direções. Scarecrow virou-se para
Tin...
- Agora, amigo Tin, é com você!
- Qual é a idéia, Scarecrow?
- Vá até a margem do rio e faça uma carreta capaz de transportar Lyon!
O lenhador fez rapidamente uma carreta de madeira. Pouco depois, os
ratinhos começaram a chegar de todos os lados, aos milhares, pequenos,
médios e grandes, cada um trazendo nos dentes um pedaço de barbante.
Dorothy ficou de boca aberta ao ver-se cercada por milhares de ratos.
Os camundongos a olhavam com espanto e timidez, mas ao verem sua rainha
conversando amigavelmente com a menina, descontraiam. Scarecrow e Tin
Man, com os barbantes em forma de laço, ataram os ratinhos à carreta,
depois os guiaram até onde estava Lyon. Foi uma dificuldade colocar o
leão na carreta, mas os ratinhos eram incentivados por sua rainha e,
com a ajuda do espantalho e do homem de lata, conseguiram colocá-lo
sobre esta, bem como puxar a carreta até onde ficara Dorothy. Assim
que chegaram ali, foram desatados da carreta por Scarecrow e Tin...
- Obrigada, amigos! - agradeceu Dorothy, com entusiasmo.
- Se precisarem novamente de nós, é só soprar este pequeno apito que
viremos! Adeus, amiga!
- Obrigada, amiga! Adeus, amigos!
- Adeus! - responderam todos os ratinhos, dispersando-se pela relva,
indo cada um para sua casa. Dorothy, com Totó nos braços, Scarecrow e
Tin Man foram sentar-se junto a Danyl que, durante todo esse movimento,
dormira um bom sono...
- Agora vamos esperar que Lyon acorde para prosseguirmos nossa viagem!
- É isso aí, Dorothy! - disse Tin Man.
Pelo meio da tarde o leão despertou. Tin Man contou-lhe como ele fora
salvo e ele ficou muito agradecido aos amigos. Levantou-se da carreta,
deu uma espreguiçada, um bocejo e deu uma corridinha para esticar as
pernas...
- Já estou em forma, pessoal! Podemos partir!
- Vamos procurar a estrada dos tijolos amarelos! - disse Dorothy.
Acordaram Danyl e se puseram a caminho...
Vocês vejam como a vida é engraçada: eu sempre me achei o máximo, mesmo
sendo um covarde e fui derrotado por umas flores de nada e salvo por
pequenos camundongos!
- Agora você aprendeu que, tamanho não é documento! - disse Danyl.
- Pois é, amigo Lyon, vocês que são de carne e osso pensam que são
fortes e que podem tudo, mas não é verdade!
- Você está certo, Scarecrow! - disse Tin Man.
Após alguns minutos de caminhada sobre a relva verde e macia, eles
encontraram a estrada que os levaria à Cidade das Esmeraldas. Com
prazer, descobriram que o calçamento era perfeito, a paisagem alegre
e , entusiasmados, viram que a cerca que ladeava a estrada agora era
pintada de verde e, aqui e ali, havia uma casinha na mesma cor...
- Que alívio, gente, ver essa cerca verdinha! - exclamou Dorothy.
- Acho que já estamos chegando à Cidade das Esmeraldas!
- É possível que, depois daquela curva, já avistemos a cidade, Tin!
- Estou tão ansiosa! - disse Dorothy.
- Acho que todos nós sentimos o mesmo, Dorothy... até mesmo o Totó!
- Au au au au!
- Eu não disse! Hahahahaha! - falou Danyl, dando uma boa risada.
- Hahahahahahaha! - Sorriram todos.
À proporção que caminhavam, aumentava o número de habitações e os
moradores de algumas dessas casas, curiosos, chegavam à porta só
para ver o estranho cortejo composto de uma menina, um cachorrinho, um
gato que andava como gente, um espantalho, um homem de lata e aquele
enorme leão. Todos se vestiam de verde e tinham chapéus pontiagudos,
iguais aos usados pelos Pimpolhos que foram libertados da escravidão
quando a casa de Dorothy caiu sobre a da Bruxa Má do Leste, matando-a
soterrada. Pareciam querer puxar conversa, mas a presença de Lyon era
bastante para que se retraíssem amedrontados...
- Só pode ser o Reino de Oz! - observou Dorothy.
- Devemos estar bem perto da Cidade das Esmeraldas! - completou Tin.
- É mesmo! - concordou o espantalho.
- Tudo aqui é verde. no País dos Pimpolhos era azul! - disse Danyl.
- O povo não parece tão simpático! - disse Lyon.
- É você quem os assusta, Lyon! Hahahahaha!
- Ora, Danyl... eles teriam medo de um leão covarde como eu?
- Mas eles não sabem disso, Lyon! - disse Scarecrow.
- Você já comprovou que não é nem um pouco covarde, Lyon!
- Obrigado, Dorothy, mas sei que sou medroso!
- Acho que não vai ser fácil encontrar hospedagem por estas bandas!
- Talvez não, Lyon... pode ser que encontremos um certo baiano ou uma
simpática niteroiense! - Falou Dorothy.
- Eu também acho! - concordou Danyl.
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