| Publicado por: | vander.christian |
| Data: | 00/00/0000 |
| Hora: | 11:50:26 |
| Página: | biblioteca_ler |
| Na categoria: | x |
| Leituras: | 140 |
Simone abriu a gaveta da mesa de cabeceira. Ali dentro Marcio guardava as contas as correspondências e o álbum de fotografias.
O objetivo de Simone era tentar encontrar algo que esclarecesse onde estaria escondida a herança. A moça já estava perdendo as esperanças, quando ao retirar o álbum, deixou-se aparecer um envelope amarelo. Com o coração batendo mais forte Simone pegou o envelope e abriu.
Não continha a herança, mas sim os documentos de todos os bens deixados pelos pais de Marcio.
-Roberta! Roberta! – chamou Simone.
-O que é? – respondeu Roberta no corredor.
-Encontrei algo que pode ser importante.
Em seguida Roberta entrou no quarto.
-Que isso? – perguntou ao ver os papéis e o envelope no chão.
-São os documentos dos bens herdados pelo Marcio.
Roberta pegou um dos papéis. Nele dizia que os pais de Marcio tinham só em São Paulo cinco estabelecimentos comerciais. No Rio de Janeiro três, no Paraná dois e um na Bahia, e ainda eles eram sócios de uma academia de dança em Londres.
-Encontraram alguma coisa? – perguntou Milena entrando no quarto junto com Tadeu e Tico.
-Sim, vejam esse documento – disse Roberta entregando o papel para Tico, que juntou a cabeça com Milena e Tadeu para começarem a ler.
-Agora veja isso Roberta.
-O que é agora Simone?
-É uma correspondência da mãe do Marcio para o pai dele.
-Após ler o documento, Tico falou:
-Bom parece que eles venderam todos os imóveis e ficaram só com o dinheiro vivo.
-Talvez não tenha sido uma boa idéia.
-É. Mas por que será que eles venderam os imóveis?
-Não sei. Tem uma carta aqui da mãe do Marcio ela escreveu de Salvador para o pai de Marcio.
Em voz alta Roberta leu:
Salvador 08/ 04/ 92
Floriano estou precisando de ajuda! Descobri que tem alguém desviando dinheiro da Firma Supermercados. O mais grave porem, é que é gente de nossa confiança.
Preciso que você venha até aqui o mais rápido possível, pois quero dar mais detalhes por carta.
Sua esposa Madalena.
-Parece que os problemas com dinheiro dessa família não vem de hoje.
-Talvez tenha sido este o motivo que levaram eles a venderem todos os imóveis.
-Tem outra carta. O Floriano escreveu do Rio de Janeiro para Salvador.
Rio de Janeiro 05/ 01/ 93
Madalena o impossível aconteceu! Caio e Guilherme conseguiram escapar!
A voz de Roberta enfraqueceu.
-Caio e Guilherme, eles... eles era quem estavam desviando o dinheiro dos pais de Marcio...
-Não posso acreditar! – exclamou Milena.
-Continue a leitura Roberta – pediu Tadeu.
Eles podem estar em qualquer lugar, mas tenho certeza de que aqui no Rio eles não estão.
Quero que você faça o seguinte Madalena: pegue esse dinheiro que esta aí e venha pra cá. Estarei no saguão do aeroporto te esperando de carro para juntos irmos ao banco...
-Foram eles! – gritou Roberta deixando a carta cair no chão – não foi um acidente comum como o Marcio contou. O Caio e o Guilherme devem ter provocado o acidente, mexido no carro... Eles estão infernizando a família do Marcio desde aquela época. Mataram o Zeca na esperança de levarem o dinheiro, mas ao ver que ele só estava com um pouco, pediram para ele falar onde estava o resto; foi morto porque se recusou a falar. E agora estão nos ameaçando...
-Eu não estou entendendo o porquê da cisma Viviane?
-Tenho a sensação que você esta me enganando. Onde você passou a noite?
-Não me sinto na obrigação de responder o que faço a noite.
A moça encarou Edmundo demoradamente. Depois falou:
-Eu vou matar você Edmundo.
-E eu venho te buscar – disse Edmundo ainda de olho em Viviane. – Passei a noite na pensão.
-A chave do seu quarto estava na recepção e a dona Graça falou que você dormiu fora.
-Teria sido melhor se tivéssemos em um quarto com duas camas.
-Não será preciso. Mas eu estou de olho em você.
Edmundo foi para o quarto de Marcio.
-Encontrou? – perguntou Marcio.
-Fala baixo. Não procurei ainda.
-Não foi isso que combinamos.
-Nós não combinamos nada Marcio. Fica de boca fechada.
Assim que o rapaz saiu Marcio falou:
-Então é assim não é? Quero ver se ele vai encontrar o dinheiro dentro do pato de louça.
Diego retirou as madeiras de onde estavam e colocou tudo para fora. Seus olhos bateram em um saco velho sujo. Dentro dele não havia nada de interessante.
-Espere, isso é interessante – disse ele ao ver o pato de louça. – Vou levar pra casa.
-Você não pode fazer isso Roberta! – alertou Tico se pondo na frente da amiga. – Eles pediram para não chamarmos a policia!
-São dois assassinos Tico!! – gritou Roberta tentando passar pelo amigo
-A Viviane pode ficar sabendo e entender errado e...
-Dane-se o que a Viviane vai achar. Esses dois passam o dia todo dentro de casa, a policia vira busca-los aqui.
Foi para a porta. Só que esta se abriu primeiro.
-Vai sair Roberta?
-O que você esta fazendo aqui?
-Vim saber se você achou a herança.
-Não achei. É melhor você ir embora porque se você não se lembra te expulsaram daqui.
-Sabe Roberta, eu estou começando a achar que você não gosta tanto do Marcio assim não.
-Vai embora Viviane – pediu Roberta fechando os olhos.
-Tudo bem, mas antes quero que saiba de uma coisa: esta dando muito trabalho cuidar do seu namorado, então eu resolvi mudar o prazo de dez para seis dias.
Roberta congelou e mudou de cor.
-O combinado não foi esse – disse ela com urgência – eram dez dias!
-Pois é, eram dez dias, mudei de idéia. Melhor se apressar.
-Você não tem esse direito!
-Não discuta comigo Roberta!
-Olha só Viviane – tentou Tadeu – você disse que...
-Sei que eram dez dias – falou Edmundo pela primeira vez – só que o Marcio tem dado muitas despesas; decidimos mudar as regras. Isso é tudo.
-Cale a boca – ordenou Tico.
-O que disse?
-Cale a boca. Vocês foram expulsos dessa casa, saíram daqui a pancadas, deveriam ter vergonha de retornarem.
-Retornaremos aqui quando quisermos – falou Viviane esboçando um sorriso. – A Roberta terá o prazer de nos receber.
Dizendo isso Viviane se virou pra ir embora. Tico e Simone seguraram Roberta que ia voando no pescoço da moça.
-Calma Roberta – pediu Tico segurando com grande esforço a amiga.
-Me solta eu quero acabar com ela!
-Isso não vai resolver nada Roberta, volta aqui!
Tarde demais. Roberta se desvencilhou de Simone e já ia decidida para a rua.
-Você é covarde Viviane! – gritou ela. Viviane parou, juntamente com Edmundo e virou – se para encarar Roberta.
-Tudo isso poderia ter sido evitado Caio – falou Guilherme fechando o livro que estivera lendo.
-É eu sei. Se tivéssemos pegado esse dinheiro naquela época estaríamos em outra vida.
-Maldita hora que fomos falhar!
-Não falhamos Guilherme. A culpa foi toda da Madalena, ela que estragou tudo. Não levou o dinheiro para Rio lembra?
-É verdade. Ainda bem que eu... mas que gritaria é essa?
Guilherme se levantou e foi até a porta, seguido por Caio. Na rua Viviane gritava:
-Pode gritar, falar o que quiser, mas daqui seis dias eu vou querer o dinheiro!
-Você não tem coragem de assumir nada que faz! Por que não assume que esta com um refém no meio do mato e que...
-Você é louca, alem de caloteira é completamente louca!
-Já entendi tudo, você esta tentando disfarçar... Raptou um rapaz e não esta tendo condições de sustentá-lo é ou não é? Fala!
-Cala a boca! Nós temos um trato, você sabe muito bem o que vai acontecer se você não...
-Viviane vamos? –falou Edmundo ao ver que a Viviane falaria da herança; a rua já estava começando a encher de curiosos. – Tenho certeza que a Roberta vai nos pagar, ela só esta nervosa assim porque é mais uma devedora, logo passa – pegou Viviane pelo braço e tentando sorrir falou: - Tchau Roberta. Ligaremos para saber como você esta.
-Vamos entrar Roberta – disse Milena.
Na casa ao lado, Caio falou:
-A tal Viviane adora dar show né?
-Adora. Eu já entendi o que esta acontecendo...
Os curiosos foram embora. Ninguém notou, mas Bianca escutou tudo atentamente.
-Ela seqüestrou o rapaz que a expulsou da casa aí – falou Guilherme – e o pagamento do resgate será a herança. Realmente ela não é nada boba, essa Viviane.
-E eu acabei de ter uma brilhante idéia – disse Caio sorrindo.
-Fala então.
-Se a Viviane continuar com essa pressão pra cima do grupo, ficara muito difícil pra nós obtermos o dinheiro, contudo, ficara fácil se a Viviane estiver fora do caminho.
-O que faremos com ela?
-Uma ameaça, só isso. Se ela tiver bom senso desisti na hora.
-Se não tiver...
-... Acabaremos com ela.
Estava Rogério assistindo televisão quando a campainha tocou. Rogério foi atender, era Tico.
-E aí, cara, beleza? Vim conversar com você.
-Chega aí.
Tico entrou e permaneceu em silêncio.
-Você quer tomar café ou suco? Tem bolo também...
-Não quero nada Rogério, obrigado.
-Bom, aconteceu alguma coisa?
-Não. Eu só vim aqui por que... você foi hoje cedo lá na casa do Marcio?
-Fui. Eu não te vi por lá...
-Rogério por que esta agindo assim?
-Não consigo entender a burrada que vocês estão fazendo!
-Tem burrada nenhuma cara. Só estamos ajudando o Marcio porque ele esta em apuros.
-Se tivesse feito a coisa certa não estaria em apuros.
-Você não esta sendo o mesmo Rogério de antes. Você sempre gostou de aventuras e tudo isso que nós estamos fazendo pelo Marcio é aventura.
-Sempre gostei de aventura sim; só que na ficção e a ficção é diferente da realidade.
-Pensei que éramos amigos.
-Somos amigos. Mas isso tudo é perigoso. O Marcio deveria ter imaginado que se a Viviane não fosse presa ela retornaria.
-Você esta com medo do que?
-Não estou com medo de nada.
-Esta sim. Reconheço que essa encrenca na qual estamos metidos é perigosa, mas não tenho medo. Agora você não esta participando e esta com medo.
-Tive pesadelos.
-Pesadelos?!
-É, pesadelos... Gente gritando, sangue e enterro.
-Desde quando você acredita em pesadelos?
-Desde quando eles vêm em forma de aviso.
Tico ficou olhando o seu amigo. Aquela frase tinha encerrado o assunto. Então Tico resolveu falar sobre outra coisa.
-Eu não pude participar daquele concurso de fotografias, tem outro agora. Ta a fim de me ajudar?
-Aí sim eu ajudo.
-Eu vou indo, tenho umas coisas pra fazer.
Após a saída de Tico, Rogério sentou – se no sofá pensativamente.
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