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o tempo vale dinheiro

Publicado por: vander.christian
Data: 20/05/2009
Hora: 14:49:04
Página: biblioteca_ler
Na categoria: x
Leituras: 174

 

Todos se divertiam, bebiam, dançavam, beijavam, mas o aniversariante Fernando na fazia nada disso.
-Não vai dançar Fernando? – perguntou Tico tirando a blusa, pois já estava com calor de tanto dançar.
-Daqui mais um pouco – respondeu Fernando sem animo.
-Pelo menos toma alguma coisa.
-Já tomei. Esquenta não, se diverte aí.
Vendo que não adiantava insistir, Tico voltou a dançar. Fernando encostou-se no pilar ainda de cara amarrada. Então alguém bateu de leve em seu ombro. Era Rosana.
Fernando se virou e não conseguiu se conter.
-Rosana, você...!!
-Não me esperava não é?
-Eu não acredito, o Tico falou que você não vinha!
-Queria te fazer uma surpresa. Feliz aniversario Fernando. Aqui esta o seu presente.
-Eu não sei nem o que dizer Rosana!
-Não diz nada.
Rosana abraçou Fernando. Depois se beijaram ardentemente. Mais tarde quando os dois estavam dançando, Tico fez sinal de positivo para Fernando.




Marcio se revirou na cama. O colchão duro não estava ajudando muito. E o braço machucado começou a latejar.
Enquanto isso, Edmundo entrou no cativeiro, se dirigiu rapidamente para a porta onde Marcio estava. Destrancou a porta e ascendeu a luz. Marcio se levantou assustado.
-O que você esta fazendo aqui Edmundo?
-Quem faz as perguntas aqui sou eu Marcio – falou Edmundo ríspido. - Eu entro e saio daqui a hora que eu quero.
-Então me deixe em paz pelo menos a noite – dizendo isso Marcio voltou a se deitar dando as costas para o recém chegado.
-Pode se levantar. Precisamos conversar.
-Conversar o que? – Marcio perguntou o encarando Edmundo.
-Quero que você me diga onde esta a herança.
-Não vou dizer onde esta.
-Se você me disser te solto.
-Acha que eu vou acreditar em você?
-Estou falando sério Marcio. Se você disser onde esta eu solto você e mando a policia prender a Viviane.
-Ah agora eu entendi. Brigou com a sua parceira, né?
-Eu não estou brincando Marcio.
-Não vou falar.
Edmundo sacou o revolver. Se abaixou e puxou Marcio pelo pescoço. Apertando a arma na tempora do rapaz falou:
-É melhor dizer. Se não disser eu acabo com você e pode ter certeza que você estando morto a sua herança não vai cair em boas mãos. Entregue ela a mim e prometo que cuidarei bem dela!
Edmundo jogou Marcio no colchão.
-Primeiro você tem que me soltar – disse Marcio olhando para o revólver.
-Já falei que você não esta em condições de exigir coisas. Ta pensando que eu sou idiota? Você diz aonde esta a herança, eu vou lá e dou uma investigada, se eu encontrar ótimo, se não encontrar...
-Não confio em você.
-Problema seu. A minha paciência esta acabando.
-Sentado no colchão, completamente em pânico, Marcio tentava encontrar uma saída.
-Fiz uma pergunta minutos atrás! Estou esperando uma resposta Marcio!
O grito que Edmundo dera, acabou com as chances de Marcio inventar alguma desculpa. Acabou optando por dizer a verdade – ou quase toda a verdade.
-Esta... esta dentro da velha capela. Escondida dentro de um saco que esta embaixo de umas madeiras.
-Tem certeza disso? – indagou Edmundo com um brilho forte nos olhos.
-Sim. Isto é, se ninguém a encontrou.
-Alguém sabe que você a escondeu lá?
-Não. Eu ia dizer a Roberta só que você e a Viviane não deixaram.
-Hum – murmurou Edmundo enquanto guardava o revólver no cinto. – Certo. Amanhã eu vou até lá investigar; quando eu estiver com o dinheiro na mão eu venho aqui e te solto. A Viviane vai ter uma bela surpresa quando entrar e der de cara com a policia.




Milena e Simone chegaram à mesa para tomar café na manhã seguinte e já encontraram Roberta preparando as torradas.
-Bom dia Roberta, levantou cedo hoje, hein?
-Bom dia Milena, bom dia Simone. É eu não consegui dormir direito.
-Eu é quem o diga Roberta. Aquela cama do Edmundo não é muito confortável – falou Tadeu chegando na sala. O rapaz pos as mãos nas costas e fez uma careta.
-Cadê o Tico? – perguntou Simone abrindo a geladeira e retirando o pote de manteiga.
-Hoje ele vai demorar a se levantar ficou até as duas da manhã na festa do Fernando – falou Tadeu.
-O motivo pela qual eu não dormi bem nada tem a ver com os colchões – disse Roberta. Estou preocupada com o Marcio. O que será que estão fazendo com ele?
-Fica calma Roberta. A Viviane não vai fazer nada com ele. Ela só quer o dinheiro.
-Isso é que me preocupa Milena. O que a Viviane vai fazer quando os dez dias acabarem e não entregarmos o dinheiro a ela?
-Nós estamos bem encrencados. E a vida do Marcio correrá perigo se não acharmos o dinheiro.
-Não é só a vida dele que corre perigo – disse uma voz arrastada. – A vida de vocês corre mais perigo do que a dele.
-Rogério se você não ajuda também não atrapalha – retrucou Roberta sem olhar para Rogério.
-Realmente você mudou muito Rogério – disse Milena. – Até ontem você contava piadas e estava sempre querendo ajudar, agora esta sempre falando com friesa...
-Não fui só eu que mudei Milena. Vocês também mudaram tanto que estão dormindo até fora de casa.
-Existem muitas coisas para resolvermos. É muito importante que ficamos perto um do outro.
-Que tipo de coisas vocês tem para resolver?
-É o que nós também queremos saber – falou uma voz grave.
Ao ver Caio e Guilherme entrando na sala, Tadeu se adiantou:
-O que significa isso? Não se tem mais privacidade nessa casa!
-Notem que a culpa não é nossa - disse Guilherme. – A campainha esta queimada e nós tentamos explicar a você ontem à noite o nosso objetivo, porem a Simone disse que tinha de fechar a casa.
-Não devemos satisfações para vocês!
-Vocês vão descobrir que sim – disse Caio.
-Ah é? – ironizou Milena.
-Sabemos da existência da herança – falou Guilherme sorridente. – E queremos saber onde ela esta.
-Vocês estão loucos!
-Engano seu. O dono da herança perdeu o irmão dele por que o meu irmão aqui deu um tiro nele.
-Você! – exclamou Roberta.
-Isso mesmo – continuou Caio – é o que acontece com quem nos contraria. Pois já dizia a minha querida irmã Escolástica: quem não obedece deve ser castigado!
-Fora daqui! – gritou Roberta abrindo a porta da sala com agressividade.
-Só vamos sair quando vocês disserem onde esta...
-Ninguém vai dizer nada! – explodiu Roberta ainda segurando a maçaneta da porta. – E se não irem logo embora eu chamo a policia!!
Caio sacou um revolver. Todos ficaram tenebrosos.
-Não vai chamar coisa nenhuma. Ou vocês dizem aonde esta a herança ou vão todos fazerem companhia para o irmão do Marcio.
Reinou então um silêncio desagradável. Caio e Guilherme apontava o revolver pra cada um.
-Estamos esperando uma resposta.
-Não sabemos onde esta a herança – disse Roberta com a voz tremula. – Tem também uma outra pessoa interessada na herança.
-Quem é essa pessoa?
-Viviane.
-Uma mulher?! – riu Caio. – Ouviu Guilherme?
-Sim.
-Ela é perigosa – falou Roberta. – Esta nos ameaçando.
-Você acha que nós temos medo de uma mulher?
-Mas ela é perigosa esta nos ameaçando – teimou Roberta.
-Só que nós não temos medo de ninguém, tão pouco de uma mulher.
-Ela não é uma mulher comum!
-Não interessa. Queremos a herança de qualquer jeito.
-Daremos uns dias para vocês o dinheiro. Mas não somos de esperar muito, por isso é melhor que vocês se apressem, pois já dizia a minha irmã Anastácia: o tempo vale dinheiro.
Saíram os dois.
-Esta vendo Roberta como tem mais gente que sabe da existência da herança – falou Rogério.
Ninguém disse nada. Rogério foi embora sem também dizer mais nada. Momentos depois de sua saída, Tico chegou na sala bocejando.
-Quem esteve aqui? – perguntou.
-Rogério. Veio nos criticar.
-Você precisa conversar com ele Tico.
-É. Mais tarde eu falo com ele.


Viviane entrou no quarto de Marcio e assustou – se ao vê –lo deitado.
-Não vai comer nada?
-Comer o que? – perguntou Marcio sem se alterar.
-O Edmundo não trouxe o café?
-Ele nem veio aqui ainda.
-Não veio?
-Não.
-Aonde será que ele passou a noite? – disse a moça para si mesma.
De repente Marcio caiu na risada. Ria com gosto. Viviane olhou para ele surpresa.
-Do que você esta rindo?
-O Edmundo – falou Marcio sorrindo – ele esta enganando você!
-Do que você esta falando?
-O seu parceiro, esta passando a perna em você – disse Marcio tentando conter o riso.
-Você esta sabendo de alguma coisa?
-Não. Mas que ele vai dar o golpe em você isso vai.
-Eu se fosse você deixaria de ficar dizendo bobagens – disse Viviane recuperando os seus modos ríspidos. – A coisa esta feia pro seu lado. Se a Roberta não me entregar o dinheiro você morre.
-A Roberta jamais encontrara o dinheiro se o Edmundo chegar até ele antes dela.
-O Edmundo não vai fazer isso.
-Eu duvido. Você é rigorosa demais Viviane. Ele vai tentar resolver tudo por conta pró pia, ou então... vai procurar outra parceira.
-Você endoidou de vez Marcio. Vou trazer o seu lanche.
Após a porta se fechar, Marcio, sorrindo falou:
-A semente da desconfiança foi lançada.




Edmundo empurrou a porta da antiga capela com muita dificuldade. Havia muitas tranqueiras ali dentro. Mesmo assim, Edmundo entrou disposto a revirar tudo para encontrar a herança.
-Posso ajudar?
O rapaz assustou – se ao ouvir aquela voz. Se virou e deparou – se com...
-O seu divertimento agora é seguir os outros? Ou isso só esta acontecendo comigo?
-Receio – disse Bianca meigamente – de que eu é que deveria perguntar: o que você esta fazendo aqui Edmundo? Veio rezar? Desde quando você reza e ainda mais no que fora uma capela?
-Não vim rezar.
-Ah não veio rezar. Edmundo eu mandei você fazer o Marcio dizer aonde esta a herança, lembra – se?
-Lembro.
-E então, já sabe aonde esta?
-Bianca a Viviane não é boba. Se ela descobrir que eu estou conspirando contra ela eu morro!
-Se ela não é boba faça – a de boba, ou vou até a policia e conto tudo sobre o brilhante plano de vocês.
-Você vai se meter em encrenca.
-Esta me ameaçando?
-Entenda como quiser.
-Some da minha frente. Não quero te ver mais por hoje.
Ficaram os dois se encarando. Lentamente Edmundo se afastou. Bianca deu dois passos, mas se deteve. Virando – se para a capela falou:
-Algo me diz que ele ia pegar alguma coisa.
A moça olhou de um lado pro outro. Não viu ninguém, caminhou até a porta.
-Com licença moça, eu preciso limpar toda essa sujeira.
Bianca se virou surpresa. O sujeito parado a sua frente vestia um uniforme laranja e arrastava consigo um carrinho onde se lia a palavra lixo. Era Diego.
-Que estranho você ter que limpar justo aqui – falou Bianca com pouca educação.
-Pois é que pena, mas ordens são para serem cumpridas; vou limpar a praça toda hoje.
-Ah vai limpar a praça toda?
-Isso, inclusive aí dentro – disse Diego apontando para a capela.
Bianca pegou uma pastilha, ponhou na boca e jogou o papel no chão.
-Que isso moça? Seus pais não lhe deram educação? O lixo é aqui - e apontou o carrinho, só que Bianca já ia se afastando da praça.
-Se encontrar essa moça de novo, eu juro que vou virar esse carrinho de lixo em cima dela – protestou ele pegando o papel da pastilha.
Nesse momento passaram dois garotos com mexi ricas na mão. Os dois então decidiram começar uma guerra de cascas. Diego viu aquilo e gritou:
-Parem com isso seus pirralhos! Vão sujar a praça toda!
-Melhor pra você tio – falou um dos meninos – ou quer ficar sem serviço?
-As coisas não funcionam desse jeito moleque!
-Tem razão, não funciona mesmo – disse o outro garoto e recomeçou a jogar cascas no seu colega. Diego ia reclamar, mas uma das cascas acertou em cheio no seu nariz. Ele então gritou um monte de palavrões enquanto os garotos se afastaram gargalhando.
-Droga de serviço! Não tenho muita certeza se vou ficar tolerando desaforos, ah se eu tivesse com setecentos mil em minhas mãos juro que aqui eu não ficaria!

 

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